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9 desejos para 2010

Além do pedido de paz e saúde, a virada do ano é marcada pela vontade de realizar novos projetos. Nesta reportagem, os desejos de nove leitores que escolheram receber o ano-novo perto do mar
Roupa branca e nova, ceia farta, champanhe gelado, fogos, família e amigos. Tudo para brindar e testemunhar o fim de um ciclo e o nascer de um novo ano. Não há uma regra, mas a maioria das pessoas mantém um ritual para a passagem, seja por superstição ou apenas para comemorar a chegada de um novo período.
O psicólogo e antropólogo Gilberto Gnoato explica que o ser humano é movido pelo medo e pela esperança. Assim, celebrar o fim de um ano é como zerar o velocímetro. “É um momento em que nos propomos a uma reavaliação e temos a oportunidade de depurar as coisas ruins que aconteceram”, diz.
O bancário nasceu em Matinhos, morou em diversas cidades paranaenses e há cinco anos voltou para a terra natal. Seu desejo para 2009 é terminar o curso de Turismo. “Gostaria de ajudar minha cidade a prosperar, atendendo cada vez melhor os turistas.” - Onde vai passar o ano-novo: Matinhos. - Costumes e Rituais: vai à igreja com a família e amigos. Na ceia, consome lentilha e frutas. Vai à praia depois da meia-noite só para apreciar o movimento. - Lemuel Freire Viana, 41 anos, bancário
Desde os 11 anos, Adriano passa as viradas de ano nas praias do Litoral paranaense. Nesse ano, ele deseja saúde para a filha Natasha, de 10 anos, e pretende retomar os treinos dos esportes que praticava, jiu-jitsu e bodyboard. - Onde vai passar o ano-novo: Guaratuba. - Costumes e Rituais: não tem superstição quanto aos alimentos na hora da virada de ano. Gosta apenas de reunir amigos e a família para ver os fogos na praia. - Adriano André Alves da Rocha, 31 anos, funcionário público municipal.
A curitibana tem formação em Farmácia, área em que trabalha atualmente, e pretende retomar a empresa de transporte escolar, que é um negócio da família. “Meus pais sempre trabalharam com isso e eu desejo prosperar nesta área para garantir uma vida confortável para meu filho.” - Onde vai passar o ano-novo: Caiobá. - Costumes e rituais: come sete uvas e lentilha, pula três ondas à meia-noite e brinda com champanhe com a família, enquanto vê a queima de fogos. - Melissa Lacerda Fonseca, 29 anos, empresária, na foto com a família.
Juntos há quatro anos, o casal de Jaguariaíva deseja tranqüilidade e pensa em mudar para o Litoral. “É um projeto antigo que agora, com a aposentadoria, ficou mais fácil de realizar”, diz Cláudio. - Onde vão passar o ano-novo: Pontal do Paraná. - Costumes e rituais: roupas brancas, comem carne de porco, lentilha, uvas, pulam três ondas, recolhem conchas do mar para fazer um colar e presentear a pessoa amada. - Cláudio Schmucker, 55 anos, mecânico aposentado e Léia Andrade Lopes, 48 anos, professora aposentada.
A administradora curitibana é casada há 13 anos e tem um filho com 9 anos. Ela sonha em trocar de casa para ter um espaço mais amplo, que proporcione mais conforto para a família. - Onde vai passar o ano-novo: Guaratuba. - Costumes e rituais: é contra jogar flores e oferendas no mar, para não poluir a praia. Passa a virada do ano na praia, com a família, e pula sete ondas sem olhar para trás. Depois, come uvas, ameixas e romã. Não consome carne de aves no ano-novo. - Josiane Cristina Tineu, 30 anos, administradora.
Relaxar, não se estressar e curtir mais a vida, amigos e família são os desejos do casal Cláudio e Cleonice, de Maringá. “Não planejamos nada especial. Vamos deixar que a vida nos leve”, diz Cláudio. - Onde vão passar o ano-novo: Balneário Camboriú (SC). - Costumes e rituais: pulam sete ondas à meia-noite, comem uvas e lentilha para dar sorte e brindam com champanhe. - Cláudio Zanlucas, 45 anos, bombeiro e Cleonice Zanlucas, 39 anos, dona-de-casa.
A curitibana Rafaela planeja estudar muito. “Neste ano passei raspando, por isso vou me dedicar mais ”. Fabiana, sua mãe, deseja que a crise econômica seja controlada. “Espero que nosso país consiga um equilíbrio”, diz. - Onde vão passar o ano-novo: Praia Mansa de Caiobá. - Costumes e rituais: roupas brancas. Comem uvas e lentilhas, pulam três ondas e brindam com champanhe. - Rafaela Alves Martins Alberti, 13 anos, estudante e Fabiana Alves Martins, 33 anos, administradora.
Os integrantes da família, de Curitiba, desejam passar mais um ano todos juntos, com saúde e segurança financeira. “Poder reunir a família e vê-la crescendo feliz é tudo o que queremos”, diz Fabiana. - Onde vão passar o ano-novo: Guaratuba. - Costumes e rituais: roupas brancas e novas. Comem uva e romã e guardam 12 sementes. Evitam carne de aves. - Família Bubniak – Eugênio, 78 anos, oficial da reserva da Polícia Militar; Teresa, 72 anos, dona de casa e Fabiana, 31 anos, publicitária.
O brasiliense Hélcio Araújo mora com a família em Curitiba há um ano e meio e deseja mais segurança. “Precisamos recuperar a sensação de segurança, ter mais policiais nas ruas para tentar viver com mais tranqüilidade.” - Onde vai passar o ano-novo: Pontal do Paraná. - Costumes e rituais: ceia tradicional, em que não podem faltar champanhe, uvas e carne de porco. Depois verá os fogos e colocará os pés na água do mar. - Hélcio Araújo, 53 anos, analista de sistemas.
Além da importância individual, Gnoato observa que o ritual de virada de ano influencia a organização e o ritmo da sociedade. “É preciso elaborar orçamentos para os próximos 12 meses e cumprir uma série de compromissos sociais. O início do ano traz a renovação dessas responsabilidades”, analisa.
De acordo com a psicóloga Raquel Luz dos Santos, o aspecto mais importante da passagem é o momento de transição, o instante que não é nem um ano nem o outro. “Sentimos a necessidade de estabelecer um controle ritual desse momento. Para isso festejamos, confraternizamos e abraçamos pessoas que não conhecemos”, diz Raquel.
É desse momento de necessidade de renovação que nascem os diversos rituais e simpatias, influenciados por crenças e culturas diferentes. Na análise do antropólogo, a aliança social estabelecida na passagem do ano representa o desejo único de renovação. Esta união é tradicional nas grandes festas de réveillon em todo o mundo, como na Times Square, em Nova Iorque, ou na Avenida Champs-Elysées, em Paris.
No Brasil, o espaço coletivo mais popular para receber o ano-novo são as praias. “Trata-se de uma questão geográfica e de herança cultural dos povos que formaram nossa identidade”, diz a psicóloga Raquel. “Como a virada do ano é um tempo de estabelecer novos projetos, a praia se configura como um espaço coletivo em que se celebra a unidade social”, afirma o antropólogo.
Além disso, o mar, segundo os psicólogos, tem ligações religiosas e místicas com a nossa cultura. É por isso que o caderno Verão da Gazeta do Povo apresenta, nesta reportagem, os desejos, superstições e rituais de nove veranistas que escolheram dar as boas-vindas a 2009 no Litoral.

FELIZ 2010!!!
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